segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Academinas: Parceria para a vida


Um dos objetivos do programa Cidade Escola, desde seu início, é construir parcerias com a iniciativa privada. Não é uma simples busca por parceiros, mas a tentativa de encontrar gente disposta a desenvolver um trabalho sério com os aspectos sociais da população.

E é exatamente por sempre ter esse tipo de preocupação social que a Academinas, a única academia de tênis da cidade, torna-se modelo dentro do Cidade Escola. Modelo, porque consegue extrair de um esporte considerado de elite, conceitos norteadores para a formação social de muitos jovens integrantes das atividades do Cidade Escola. E não apenas com o tênis de quadra, mas também com o tênis de mesa.


Tudo começa há nove anos quando a ex-jogadora de tênis, Julieta Totti decide criar, junto com o pai, a Academinas. Em uma imensa área de 4 mil metros quadrados, localizada entre os bairros Aeroporto e Vila Formosa, Julieta descobriu muito mais do que uma forma de superar a frustração de não poder seguir a carreira como atleta, interrompida precocemente, por falta de condições financeiras, mas o encontro do prazer e uma vocação.

Um longo caminho que começa no interior de São Paulo, na cidade de Lorena, terra onde Julieta nasceu há 37 anos. A paixão pelo tênis começa aos 8 anos, quando passa a jogar no Clube Comercial, única quadra existente na cidade. Julieta é a caçula de mais duas irmãs. Pedro Guimarães, seu pai, tentou com as duas primeiras filhas realizar o sonho de ver uma delas jogando tênis para valer, mas, foi com Julieta que ele viu tudo começar a acontecer.


Julieta (esq), o pai, Pedro Guimarães e sua irmã Virgínia.
E os resultados positivos em competições não demoraram a aparecer. Julieta também começou a conhecer a rotina dura e desgastante de uma atleta do tênis. “Jogava em Lorena, depois fui jogar em Campinas. Fui primeira do estado de São Paulo, aos 18 anos. Também fui terceira do Brasil. Cheguei a jogar fora do país. Com quase 19 anos, tinha que ter muita grana para seguir nas competições e aí não deu mais. Consegui uma bolsa nos Estados Unidos, mas optei por ficar no Brasil. Já estava no circuito há muitos anos, comecei a disputar torneios com 11 anos, viajava sozinha com essa idade. Você vai vendo como é difícil, muitos amigos vão parando também, tomando outro rumo”.

E foi o que Julieta fez, tomar outro rumo, literalmente. “Quando parei de jogar, fui para o Rio de Janeiro, cursar Educação Física. Parei de jogar aos 18 anos. Naquele ano, comecei a faculdade em agosto, e em outubro já estava dando aula na academia do Carlos Kirmayr (um dos melhores jogadores de tênis do país). Durante os quatro anos da faculdade, estudei e dei aulas para ele”.

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Julieta, paixão pelo tênis.
Aos 23 anos, quando acabou a faculdade, Julieta teve que decidir sobre os caminhos a seguir na vida. “Por ser mais interiorana, decidi sair do Rio de Janeiro. Poderia optar tanto por Lorena como por Alfenas, meus pais já tinham um sítio aqui. Em Lorena, já conhecia todo mundo, meu professor já era ‘velhão’, então, optei por vir para cá. Comecei a dar aulas na Pousada do Porto, pois tinha uma quadra lá. E comecei a frequentar o Tênis Clube, pois o professor que estava lá, há 20 anos, Artur, estava aposentando, com problemas sérios nas pernas, quadril. Ele já estava parando. Entrei para começar a substituir algumas aulas dele. E tinha também outro rapaz que dava aulas, Gustavo Bruzadelli, que está lá até hoje”.


Pedro Guimarães, pai de Julieta.
A paixão do pai, Pedro Guimarães, pelo tênis, e a veia de empreendedor, acabaram despertando, rapidamente, a descoberta de Julieta para um novo futuro dentro do esporte. “Meu pai é apaixonado por tênis, joga até hoje, com 66 anos. Aprendeu a jogar só aos 34 anos, era jogador de vôlei e futebol, lá em Lorena. Uma vez ele machucou a perna, no futebol, e teve de partir para outro esporte. Um amigo dele o apresentou para o tênis e até hoje é apaixonado. Quando estávamos no Tênis Clube, sempre falava que Alfenas só tinha um lugar para jogar e com tanta gente praticando o esporte. Foi aí que ele pensou em montar uma quadra nossa. Foi um projeto nosso, minha mãe, meu pai e eu. Foi assim que surgiu a Academinas. Compramos o terreno, não tinha nada, tudo terra, asfalto só até onde é o salão de festas, nem luz havia. Meu pai sempre foi muito empreendedor”.



Como em todo empreendimento havia a dúvida: vai dar certo? Um espaço tão grande como o da Academinas precisaria de muita gente para se sustentar. Mas isso não foi problema. “O espaço ficou bem maior do que imaginamos, mas, no início, quando vim do clube, já tinha muitos alunos lá, vários vieram comigo, mais no tênis social, adulto, mulheres e algumas crianças que também estavam comigo. Só eu dava aulas no início, a segunda quadra ficava só para aluguel e a terceira para os alunos jogarem, além da sala de musculação. Um foi falando para o outro e mais gente foi chegando. Começamos com uns 30 alunos e hoje são mais de 100, graças a Deus”.



João Paulo, revelação da Academinas.
E não foi apenas quantidade, mas, qualidade, também. Jovens talentos começaram a ser revelados. “Conseguimos formar jogadores bons. João Paulo é um deles, nosso principal jogador. Está com 17 anos e começou a jogar tarde, aos 13 anos. Aqui, na região, na idade dele, ganha tudo, já está jogando ‘classe’ (jogos fora de sua categoria), e não mais na idade dele. Ele e o irmão foram jogar um torneio da Federação Paulista, em Campinas. Seu irmão joga na categoria 14 anos, mas, já está disputando a de 16 e foi vice-campeão. Já estão brilhando. É gostoso ver isso acontecer, mas o que quero mesmo é ver esses resultados com algum jovem do projeto Sementinha”.




Isso mesmo, Sementinha. Este é o nome do projeto social criado por Julieta e seu pai para tentar formar cidadãos do bem. “Vimos que, na área externa, em frente as quadras, sempre havia vários meninos usando drogas. Começamos a chamá-los. Meu pai sempre falou: ‘precisamos fazer um projeto social’, mas a gente se perguntava onde iríamos ‘captar’ esses meninos. E eles estavam bem na nossa cara. Chamei uns 3 ou 4 e eles começaram. Ficaram poucos meses e saíram todos. Aí fomos falar com a prefeitura para ajudar. Fui pegando crianças das escolas públicas que ficavam mais próximas daqui. Foi assim que surgiu o projeto Sementinha. Todo mundo que morava aqui, por perto, vinha a pé. Faz uns 2 anos isso. Começou com uns 5 ou 6, ficaram um tempinho, depois, conseguimos o transporte com a prefeitura e aí a turma ficou grande. Eram 3 turmas com 15 alunos cada”.



Eduardo e Carol, integradores do Cidade Escola.
Com a troca de governo, Julieta ficou preocupada em perder o transporte público com a entrada do novo prefeito, Luizinho. Foi aí, então, que ela soube que poderia “voar” ainda mais longe com seu projeto Sementinha, atingir muito mais jovens. Foi aí, que ela conheceu o Cidade Escola. “Quando surgiu o Cidade Escola (eu nem sabia ainda que existia), conversei com o Matheus Paccini (coordenador do programa), para ver se ele mantinha pelo menos o transporte, para manter essas crianças com a gente. Foi aí que ele revelou o alcance do projeto. E ampliamos ainda mais a oferta de vagas. Só que eu estava sozinha, por mais que tivesse o Eduardo como professor, se não o pagasse, teria de trabalhar sozinha. Com o Cidade Escola, o Eduardo e a Carol participam como integradores culturais. Somos 3 professores, 3 quadras, em 4 horários. Ofereço 25 vagas por turma: segunda, terça, quarta e quinta, às 14hs; e terça, quarta, quinta e sexta, às 9hs. Serão 4 turmas de 25 alunos, cada, 100 crianças atendidas”.


E a cada dia, Julieta e os integradores Eduardo e Carol fazem novas descobertas com a chegada desta imensa turma do Cidade Escola. E está virando realidade o que era expectativa sobre se o projeto seria útil para toda essa gente. “Eles chegam aqui e a maioria nem sabe o que é o jogo de tênis, mas, eles se adaptam muito rápido, porque já estão acostumados a brincar na rua, soltando pipa, jogando futebol. Em duas ou três aulas já estão batendo bem na bola com a raquete, já sabem onde tem que jogar a bola na quadra. Hoje, ensinamos o tênis de maneira diferente, não utilizamos a quadra inteira, dividimos todo o espaço em 12 pequenas quadras”.


Novos aprendizados, dia a dia, para a turma do Cidade Escola. “A diferença do tênis para a maioria das outras atividades esportivas é que, além de ser individual, existe a postura. Vejo que, às vezes, elas chegam muito nervosas aqui e xingam se erram a rebatida de uma bola. No tênis, não pode haver esse tipo de comportamento. Vamos mostrando a eles que não pode haver palavrão, reclamar, brigar com o parceiro se ele erra. São posturas diferentes, como no futebol, onde há xingamento, ou, no vôlei, onde há a provocação na rede. No tênis, não pode e não existe isso, são regras de comportamento do jogo”.



E, aos poucos, novos comportamentos surgem. “Eles chegam nervosos, brigando um com o outro, mas, duas aulas depois, mudam completamente o comportamento agressivo, ficando mais calmos. E digo a eles isso, que quando a gente está calmo, pensamos mais, controlamos melhor as ideias, nos organizamos, refletimos muito mais. Quando se está nervoso, se fala mais alto. Agitados, fazemos coisas por impulso. Com eles, percebemos a mudança até em uma aula, porque chegam agitados e vão embora bem tranquilos, calmos”.


Julieta não sonha em formar campeões, atletas de verdade. Seu desejo é muito maior. “Já temos alguns alunos que podem crescer como atletas do esporte. Eles têm muita facilidade para jogar, estão há mais tempo aqui com a gente. Mas, meu sonho não é este. Não preciso ver um deles campeão, quero apenas que que cresçam dentro da modalidade, pegando bola, virem um batedor, um professor de Educação Física, e sobretudo, que cresçam como cidadãos”.







Julieta, paixão por ensinar
Com a Academinas, o projeto Sementinha e a enorme turma do Cidade Escola, Julieta não olha para trás, muito menos para o futuro que poderia ter sido diferente. “Não sou frustrada por ter parado cedo, era minha realidade, não sou igual a muitos esportistas que quando param, ficam sonhando com os tempos de atleta. Sou realizada, gosto muito, mas muito, mesmo, de dar aulas, trabalhar ao ar livre, no sol, vento. E o melhor de tudo é ver que as pessoas chegam aqui e se transformam”.

E como se transformam. Foi o que aconteceu com a turma que começou a praticar outro esporte, dentro da Academinas. Há dois anos, Julieta abriu espaço em uma de suas salas para que uma jovem pudesse implantar um projeto para a pratica do tênis de mesa, um esporte pouco desenvolvido na cidade.




Rayane, técnica de Alfenas no tênis de mesa.
E, novamente, o programa Cidade Escola seria fundamental na construção deste projeto.
Rayane Lorenzo, tem apenas 23 anos e é a atual técnica das equipes de tênis de mesa que representam a cidade de Alfenas em diversas competições, regionais, estaduais e nacionais. Em menos de dois anos, o trabalho de Rayane com os jovens já colhe resultados surpreendentes. Mas não foi nada fácil chegar neste ponto.






Rayane em aula de tênis de mesa, na Academinas.
Rayane tinha apenas 13 anos quando se mudou do Rio de Janeiro com a mãe para morar em Alfenas. Como a maioria dos jovens, começou praticando pingue-pongue, no Ceme (Centro Esportivo Municipal de Educação), até que, em 2008, uma professora da cidade a chamou para participar do Joesa (Jogos Escolares de Alfenas).

Pingue-pongue pode ser definido como a forma “primitiva” de jogar tênis de mesa, a base para quem sonha virar atleta de um esporte que exige preparação e técnica refinadas. E o espírito de técnica no esporte começou a surgir em Rayane. “No final do primeiro governo do Luizinho, tinha 3 meninas que jogavam as competições escolares estaduais, Carolina, Débora e eu. 


E as meninas começaram a mostrar resultados no JEMG (Jogos Escolares de Minas Gerais), ganhar medalhas de ouro e prata, mesmo sem saber a técnica. O que eu observava era que o pessoal tinha potencial. Foi aí que fui me preparar. Depois que entrei na faculdade de Educação Física, comecei a estudar, fazer cursos, clínicas, em São Paulo, na cidade de Piracicaba, com o técnico da seleção brasileira paraolímpica, com o técnico da seleção brasileira feminina e ainda com o Lincoln, técnico anterior da seleção feminina”.


Rayane, ao lado dos integradores
Carolina Rocha e Zé Guilherme.
Quando estava no segundo ano da faculdade, Rayane conseguiu um estágio na prefeitura. Começava a surgir o sonho de ter um projeto próprio, para ensinar o tênis de mesa para aqueles que já demonstravam qualidade no pingue-pongue.  “Em 2012, o professor Eduardo Becker, que dava aula para a Débora e a Carolina, e as incentivava para participar das competições, mesmo sem ter a técnica adequada para o tênis de mesa, parou de mexer com o esporte. Foi quando conheci o Zé Guilherme, que hoje é um dos integradores do Cidade Escola. Ele me procurou porque queria participar do Jemg e não tinha ninguém para ir com ele. Foi aí que voltou meu interesse com o tênis de mesa”.



Tênis de mesa no Ceme
Voltou o interesse? Como assim? Rayane começou a jogar tênis de mesa tarde, por isso, com idade “estourando” para competições escolares, acabou descobrindo que sua vocação era mesmo trabalhar para ensinar, ser uma técnica de tênis de mesa. “Havia entrado na faculdade, muita coisa para estudar, sem contar a falta de incentivo no esporte. Em 2013, comecei a ter interesse em ter mais alunos, os meninos. Quando comecei a dar aulas, aqui, no projeto com a prefeitura, nenhum menino jogava. Zé Guilherme foi meu primeiro aluno e, a partir dele, que fui buscar outros. A maioria surgiu no CEME, 90% saiu de lá, jovens que vão para lá para fazer alguma recreação, brincar na mesa de pingue-pongue. Eu ficava de olho e perguntava: ‘vamos treinar’?. O aluno que vai lá, para natação ou qualquer atividade do Cidade Escola, para passar o dia no CEME, acaba aceitando treinar. Eles são de várias escolas da cidade”.




Jemg 2016: dois alunos classificados
para os Jogos da Juventude, em João Pessoa, Paraíba.
E os resultados impressionantes começaram a surgir com o projeto desenvolvido por Rayane. No Ceme, escolas públicas e na sala da Academinas, Alfenas começa a revelar potencial incrível para as competições de tênis de mesa. O “segredo” foi massificar a pratica esportiva, através do Cidade Escola. “A média, hoje, é de 200 alunos, e o mais legal é que com essa massificação do Cidade Escola a gente consegue trazer muitos alunos e ir lapidando aqueles que tem potencial para disputar campeonatos. Na última competição que participamos, levei 33 alunos. São meninos que estão praticando e estão mostrando resultados também. Foi importantíssima a entrada do Cidade Escola nisso tudo. Fiquei muito feliz, também, porque ajudou na vida dos meninos integradores. Eles são quatro: José Guilherme, Luis Gustavo Cesário, Marcos Antonio Jr e Eduardo Cesario, todos começaram no projeto. Zé Guilherme, o primeiro, e os outros 3 começaram sem saber nada, absolutamente nada do tênis de mesa, e agora já disputam campeonatos com rendimento altíssimo. Eles têm 16 anos. Luiz Gustavo foi prata no Jemge do ano passado, foi para a fase nacional, conseguiu bronze, em João Pessoa, Paraíba. Essa competição tem nível alto, porque são os Jogos da Juventude, fase nacional. E tudo começou com ninguém sabendo as técnicas do jogo, apenas brincando pingue-pongue, só que quase todos sempre demonstraram muito potencial para o tênis de mesa”.


Tênis de mesa na escola Padre José Grimminck
E qual seria, então, o segredo para tantos talentos revelados, quando se sabe que são necessários anos de preparação para se obter resultados no esporte de alto rendimento? “Acho que se deve ao fato de as crianças brincarem mais. Eu sou do Rio de Janeiro e percebo que, vivendo aqui, elas têm mais liberdade, brincam muito, nas ruas, no Ceme, e, quando chegam para eu trabalhar com elas, percebo que já tem uma aprendizagem motora dessas brincadeiras. Então, tudo fica muito mais fácil para ensinar. É só refinar a técnica do tênis de mesa”.



Tênis de mesa no Poliesportivo
E a tendência, de agora em diante, é só crescer. “É extraordinário o programa Cidade Escola, porque com as diversas atividades oferecidas, as crianças podem vivenciar um monte de coisas. E o mais legal, tudo próximo delas, de onde moram. Antes, minha dificuldade era exatamente essa, a distância, agora, eles estão próximos do Ceme, do Poliesportivo, das escolas Estadual, Professor Viana e, em breve, teremos um integrador no Caic. O tênis de mesa (pingue-pongue) é o terceiro esporte mais praticado no país, depois do futsal e do vôlei. As pessoas brincam, e, agora, o legal é que os integradores do Cidade Escola, que já sabem a técnica, poderão levá-las até todos os participantes do programa”.


Rayane recebendo com os alunos o certificado de
"técnica destaque" nos Jogos Escolares de Minas Gerais 2016/17
Apesar de tão jovem, Rayane não está encantada apenas com os resultados expressivos conquistados em tão curto espaço de tempo como técnica de tênis de mesa. Suas preocupações, são outras, as mesmas que regem os princípios norteadores do Cidade Escola. “Fui técnica revelação na última competição, porque, dos 4 que foram para as semifinais da fase estadual dos jogos escolares, 3 eram de Alfenas. Fiquei muito feliz, saímos do nada, sem saber nada, e tão rápido conseguir resultados expressivos. Converso muito sobre isso com o Zé Guilherme, porque, em 2013, quando o acompanhei, ele levou um ‘pau’ na competição, e se desistíssemos, ficaria aquela ‘coisa’ dentro de nós pela derrota. E não, ‘vamos treinar, treinar, treinar’. No ano seguinte, ele foi campeão e foi para fase nacional. Não tem segredo, é persistir, acreditar”.


E muito mais do que isso. “Digo muito as crianças que começam a jogar com a gente que eles estão num processo de descobrimento, de formação, só que, quando perdem e saem bravos, irritados, digo a eles: ‘ninguém perde, porque, ou você ganha o jogo ou ganha experiência’. Se você perdeu, é porque o adversário estava melhor e você vai aprender com isso. Falo muito com eles sobre esse aspecto e os resultados são incríveis, porque, se ganham, querem continuar ganhando; e se perdem, querem continuar a treinar mais ainda, para na próxima encontrarem o adversário e ganhar dele”.

Poucos sabem, mas o tênis de mesa é o segundo esporte a exigir maior concentração dos atletas, o primeiro é o xadrez. E tudo por conta da dinâmica do esporte, jogado em um espaço muito menor. Há de se perceber o efeito que a bola carrega em uma rebatida, saber a maneira correta de “entrar” na bola para armar uma jogada.


Equipe de tênis de mesa de Alfenas,
em torneio de Poços de Caldas, 2017
Mas, no programa Cidade Escola, todos esses detalhes técnicos necessários para a prática do tênis de mesa, ficam em segundo plano. O objetivo da atividade é outro. “O maior erro, no Brasil, é esperar resultados para poder massificar o esporte. E o Cidade escola fez isso, colocou diversas atividades, e só depois trabalhar, se for o caso, para começar a ter resultados no esporte com alguns deles. Cidade Escola não tem compromisso com ‘vencer’, os princípios são outros, como os de integrar e socializar. Se resultados como atletas aparecerem, melhor ainda”, garante Rayane.

E a técnica de tênis de mesa de Alfenas viu acontecer, bem de perto, um exemplo mais do que concreto sobre essa transformação de vida. “Tenho um caso, que é um dos alunos e é um dos integradores. Ele teve problemas sérios de conduta nas ruas, chegou a roubar. Conversando, com o tempo, ele se transformou, é um menino totalmente diferente. Não tenho dúvida de que foi o tênis de mesa que o ajudou a mudar. Se não tivesse essa atividade, o que poderia estar fazendo hoje?”.


Para Rayane, o resgate deste jovem, dentro da atividade tênis de mesa, define claramente os objetivos do Cidade Escola. “Digo a todos os meninos que meu maior objetivo, aqui, no projeto, é não deixar eles se perderem por aí. Não tenho pretensão de transformá-los em campeões olímpicos, fico mais feliz com histórias do integrador que falei, de não ter deixado ele ir para um caminho errado. Essa é minha intenção como professora, continuar formando gente, cidadão do bem. Sempre que posto alguma foto do grupo, digo que devem se relacionar melhor com o outro, ter educação, que, aqui, é um ambiente onde a gente preza isso. Nas aulas, quando alguém solta um palavrão, colocamos para descansar, no banco, dizendo para pensar melhor no que está fazendo. A maioria começa aqui, para treinar, estressados, nervosos, e, rapidamente, vão mudando de comportamento”.


Cantar e tocar, outra paixão de Rayane.
Na foto, tocando e a mãe cantando.
Educação, palavra chave para a técnica Rayane. Alfenas, lugar que acolheu sua família. Uma carioca, apaixonada por esse pedaço de chão. “Minha mãe já foi diretora da escola José Grimminck, quem tem um professor em casa, meio que se encanta por isso. Minha mãe tem uma visão mais humana da educação, sempre admirei muito isso nela. Tive oportunidade de voltar para o Rio de Janeiro, mas só vou para lá, para passear, ver meu pai, minha irmã, porque eu amo essa cidade, de verdade. Não me vejo saindo daqui, para voltar para lá ou qualquer outro lugar, porque Alfenas é uma cidade maravilhosa.
























quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Cidade Escola: Psicomotricidade e o bem viver


Entre as diversas atividades propostas pelo Cidade Escola existe uma que é fundamental para o desenvolvimento completo das crianças. Psicomotricidade, nome estranho, mas de extrema importância na formação física e psíquica de crianças.

Pais e mães ficam em dúvida sobre o que é essa atividade e qual sua importância para o desenvolvimento das crianças, sobretudo em idade escolar.


Psicomotricidade no Tancredo Neves com integrador Rafael.
No Cidade Escola, alguns núcleos como Caic, Tancredo Neves e Gaspar Lopes, mantem atividades semanais da psicomotricidade. Mas, afinal, o que é psicomotricidade? O conceito é simples: uma ação de finalidade pedagógica e psicológica que utiliza parâmetros da educação física com a intenção de melhorar o comportamento da criança com seu corpo. Há também quem defina a psicomotricidade como uma ciência que estuda o indivíduo por meio de seu movimento e a interação social.




Stela Rogatti, cooordenadora do Cidade Escola, núcleo Tancredo.
A psicomotricidade utiliza um conjunto de exercícios, atividades lúdicas que podem evitar futuros problemas no desenvolvimento das crianças. “Há uma grande preocupação com a criança, nos seus 3 primeiros anos, porque é neste período que elas aprendem a andar, pular, brincar, e se não for trabalhado corretamente o desenvolvimento motor dessa criança, pode sim, trazer falhas para o cognitivo e inclusive até para a vida social, porque uma criança que não sabe brincar, pular, não vai interagir, causando, assim, problemas futuros, inclusive, sociais”, garante a Neuropsicopedagoga, Stela Rogatti, também coordenadora do núcleo Tancredo Neves do Cidade Escola.


E problemas que podem parecer comuns, no início da formação educacional de uma criança, acabam se tornando graves, no futuro. “Quando acontece algum problema na primeira infância, quanto à questão da psicomotricidade, ela pode atrapalhar toda a aprendizagem, inclusive a escrita. Quando uma criança troca a letra ‘p’ pelo ‘b’, ou vice-versa, já indica problema, falha na questão da psicomotricidade, no desenvolvimento ‘motor’ da criança, que vai acarretar falha, inclusive, na aquisição da linguagem verbal e escrita”, alerta Stela Rogatti.



A educação psicomotora é essencial no início da aprendizagem das crianças, pelos problemas que podem acarretar para elas no futuro. E Stela Rogatti faz um alerta, algo que foi prática comum, em passado recente, continua a acontecer. “Antigamente, crianças eram alfabetizadas com 4, 5 anos. E ainda existem escolas que fazem isso, atualmente. E isso é muito ruim, já vi acontecer de crianças ficarem completamente desmotivadas, porque perderam tempo precioso que poderiam ter em situações de brincadeiras, momentos lúdicos de aprendizagem. Isso vai acarretar muitos problemas, lá na frente, quando é acelerado uma aprendizagem para a qual não estava preparada para adquirir. Tenho verificado a falta que faz para a criança, na pré-escola, principalmente, na educação infantil, a estrutura psicomotora bem trabalhada. Aquela que não aproveitou bem essa primeira infância, esse primeiro contato com a aprendizagem, estará prejudicada no futuro. Sempre foi uma grande preocupação minha, no Cidade Escola, propor atividades que tenham movimentos, e quando digo movimentos, são aqueles centrados nas situações psicomotoras”.



Outro alerta que faz a neuropsicopedagoga, Stela Rogatti, é sobre a desinformação que pais e mães tem sobre as atividades desenvolvidas na pré-escola. “As pessoas têm o costume bem complicado de dizer: ‘ah, nas creches, nos Emeis, Cemeis, as crianças só brincam’. É isso mesmo, só brincam. Brincam de aprender o que é pé direito, esquerdo, o que é entrar, sair, dentro e fora, pequeno e grande, atrás e na frente, deste meu lado, daquele lado. É isso que elas aprendem. ‘Brincamos’ de formar, os médicos e os grandes atletas do futuro, que tem que passar pela educação infantil”.






Integrador Wellington Lima no núcleo Gaspar Lopes
E é no núcleo do Cidade Escola, em Gaspar Lopes, que acontecem resultados incríveis com as atividades da psicomotricidade. Grande parte deste sucesso se deve a atuação de duas pessoas. A primeira, Sandra Moreira, coordenadora do núcleo do Cidade Escola na região, e do integrador cultural Wellington Lima. Uma junção de conhecimentos, teórico e prático, na educação. Sandra é educadora, professora na rede pública há quase 30 anos. Wellington, um jovem de 30 anos e que há 18 anos já aplicava os conceitos da psicomotricidade, antes mesmo destas atividades ganharem esta definição.


Sandra Moreira, coordenador núcleo Gaspar Lopes.
Em um bairro como Gaspar Lopes, com diversos problemas sociais, ter conhecimento teórico da importância da psicomotricidade, torna-se fundamental. “A psicomotricidade visa favorecer o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, psicomotor das crianças. Ela tem a capacidade de ter tudo isso envolvido: o cognitivo, o afetivo e o psicomotor. Tudo isso está ligado aos movimentos que estejam em atividades como jogos e brincadeiras, que auxiliam a desenvolver a motricidade, a lateralidade, o equilíbrio, para a criança ter o domínio do próprio corpo”, garante Sandra Moreira.


E como a psicomotricidade vai ajudar essas crianças? “Pode ser utilizada em forma de brincadeiras, para favorecer, tanto o desenvolvimento físico quanto o psicológico da criança. Assim, se a criança está brincando, ela é capaz de perder o medo de alguma fobia. Através de uma brincadeira, será capaz de realizar alguma atividade, sem pavor, desespero, angústia. Brincando, entrará num novo mundo de aprendizagem, porque estará lidando com tudo aquilo que é diferente para ela”.

Os resultados não demoram a surgir. “A psicomotricidade é capaz de criar, desenvolver, estimular sua curiosidade, seu conhecimento, suas habilidades, além de desenvolver pensamentos, concentração, atenção. E é exatamente na pré-escola que as crianças se movimentam de diferentes maneiras, como correr, pular, arremessar, jogar, chutar e outras combinações. Esses movimentos são essenciais e servirão de base para adquirir maiores habilidades”.


E por que Gaspar Lopes tem alcançado resultados tão positivos com a psicomotricidade? Tudo por conta do trabalho e talento do integrador Wellington. Para entender as razões que o tornam tão especial para as crianças daquela região, basta ouvir o testemunho de quem trabalha com estas crianças, diariamente, na Cemei Amália Leite Correa, em Gaspar Lopes.

Micheli Marangão Pereira, professora há 10 anos, viu perto tudo acontecer. “Quando começou, no início do ano, a atividade de psicomotricidade do programa Cidade Escola com o integrador Wellington, das quase 25 crianças do pré, de 4 anos, pelo menos 10 eram completamente tímidas, não gostavam de participar das atividades, ficavam só no cantinho, olhando, observando os amiguinhos. Como a atividade de psicomotricidade está sendo desenvolvida, todas as semanas, o Wellington conseguiu atrair essas crianças para participar das atividades, dos movimentos da psicomotricidade, porque são aulas criativas, dinâmicas, onde as crianças brincam, se desenvolvem, se divertem. Ele tem muito jeito, nossa, toda quarta elas perguntam: ‘hoje é dia do tio Wellington, vir?’”.


Professora Micheli Marangão Pereira
E qual seria o “segredo” do “tio” Wellington? “Deu para perceber que, das 10 crianças que não gostavam de participar, a partir da entrada do Wellington na escola, todas, gradativamente, participam alegremente, gostam, pulam, dançam, correm, brincam, cantam. Está sendo muito importante. Ele trabalhou muito bem a autoestima das crianças, o movimento de corpo delas. Tenho notado uma melhora muito grande no envolvimento entre as crianças, daquelas mais tímidas. Foi a partir destas rodas de movimento que passaram a se envolver melhor, entre elas e também nas atividades que envolvem a escrita. Antes, não falavam nas rodas de conversas, agora, já conversam, são capazes de se expressar. Está sendo um trabalho muito importante”, garante Micheli.


Opinião que é reforçada pela coordenadora do Cidade Escola, em Gaspar Lopes, Sandra Moreira. “Ele tem uma forma totalmente carinhosa para lidar com as crianças. Elas se sentem acarinhadas, mesmo aquele homem, daquele ‘tamanhão’, e as crianças tão pequeninhas. E ele consegue, domina a turma. Elas adoram, ficam ansiosas esperando a chegada da quarta-feira para poder ter a aula com o professor Wellington”.

É fácil entender tamanha admiração das crianças pelo trabalho desenvolvido pelo integrador Wellington. Uma vida quase que inteira dedicada ao corpo em movimento. O encontro com a psicomotricidade aconteceu por acaso, sem ele mesmo saber que já desenvolvia a atividade com esse nome “complicado”, nas aulas que dava em academias e escolas espalhadas pela cidade. Estava no primeiro ano de faculdade, na Unifenas, em 2011, quando fez seu primeiro estágio, no Instituto Ipanema.


“Quando chegava nos lugares para propor atividades, não havia um nome específico, como psicomotricidade. Até então, eu não sabia, porque o foco da minha faculdade era o de Bacharel, e não trazia para as atividades escolares, porém, quando fui para o Instituto Ipanema, a gente começou a desenvolver tudo isso. Tinha que começar com atividades para chegar até o esporte, ensiná-las de uma forma mais prática, fazê-las ganhar mais lateralidade, flexibilidade, coordenação motora, para poder ajudá-las na pratica esportiva, e até mesmo no dia a dia. Hoje em dia tem gente que não sabe sequer andar, não sabe correr, e essas atividades ajudam neste ganho de como aprender a fazer tudo isso, sem se gastar muita energia”.



O início do trabalho com a psicomotricidade, em Gaspar Lopes, começou também por esses tempos em que ainda estudava. “Comecei a dar atividades pelo programa Mais Educação, em Gaspar Lopes, em 2011. Lá, além da dança, fazíamos também recreação, no horário da saída das crianças, porque muitas delas moram nas roças. Tínhamos de entretê-los, até que o transporte escolar chegasse para levá-los para suas casas. Fazíamos brincadeiras lúdicas. Tinha de ter sempre algumas ‘cartas na manga’, porque não iria conseguir dar dança o tempo todo, tinha de dar atividades mais fáceis, para dar oportunidade para todas elas trabalharem. Aí fomos misturando, testando, até dar certo, encontrar as atividades para integrar todos eles”.



Mas se Wellington, sequer formado ainda era, de onde teria tirado todos esses conceitos da psicomotricidade? “No início da faculdade, temos uma matéria chamada ‘recreação e lazer’, onde aprendemos a trabalhar com os alunos de maneira mais lúdica, brincadeiras. Foi daí que começou a surgir estas atividades, foi aí que comecei a pegar essas coisas que aprendia na faculdade e levar para as crianças”.







Na verdade, a ligação de Wellington, com o corpo em movimento, começou bem mais cedo, quando era ainda uma criança. “Antes de começar, na faculdade, eu já dava aula de dança, no projeto Alô Criança, que funcionou na Vila Esperança. Tinha apenas 12 anos. Foi ali que comecei a querer ser professor. Também tive um grupo de dança, em 2001, ‘Explosão Dance’. Também dancei com o professor Marinho, no grupo MD, mas ele foi embora para o Japão. Foi quando montamos este grupo de dança. Depois do projeto Alô Criança, fui para o Instituto Ipanema”.






Wellington em time de vôlei de Alfenas
Wellington sonhou ser dançarino, mas a inquietude do corpo com a pratica esportiva acabou mudando definitivamente seu futuro. “No início, meu sonho era ser dançarino, mas quando somos criança, temos tempo para fazer de tudo um pouco, e eu fiz muita coisa. Nesta mesma época da dança, jogava vôlei numa escolinha do Polivalente, futebol, teatro, fiquei tempos atuando no grupo Folgazan”.










Wellington em ensaio teatral.
E se um problema físico impediu que Wellington seguisse carreira como atleta, a psicomotricidade deu a ele uma nova visão sobre a formação de um jovem talentoso para o esporte. “Até um tempo atrás, jogava vôlei, mas o joelho não deixou mais. Se tivesse tido as atividades que dou hoje para os jovens, talvez tivesse seguido carreira no vôlei, porque as atividades que dou, permitem também a revelação de talentos no esporte. Dá para ver, tem crianças que se adaptam mais rápido, que são propícias a fazer algumas atividades mais rápido do que outras. Tem como saber, tem como diferenciá-las. Não para o esporte, porque a psicomotricidade não tem o esporte, tem várias práticas, movimentos”.


Sendo assim, o que seria psicomotricidade para Wellington? “Nada mais é do que atividades elaboradas para trabalhar, tanto a coordenação motora como o psíquico. Precisamos ter o raciocínio lógico para poder jogar um jogo. Temos que ter a parte motora, para conseguir se desvencilhar, equilíbrio, lateralidade, para poder seguir até o final do percurso a ser feito. Então, a psicomotricidade é uma atividade elaborada para a criança poder ter esse ganho, melhora, tanto na parte psicológica quanto na motora, além do afetivo, porque, trabalhando em grupo, conseguimos trabalhar o social, a afetividade da criança com as outras pessoas”.











Afetividade, carinho, respeito, é o que o “tio” Wellington tem conquistado dia a dia no núcleo de Gaspar Lopes do Cidade Escola. O segredo para que tudo isso aconteça? “Não tenho uma abordagem ou técnica específicas, vou conversando, sentindo quem é cada uma, ‘trocando’ o tempo inteiro. Tem crianças ali que nos abraçam, chamam de pai, então, vamos trabalhando essas coisas. É muito bom. Isso é por conta da atenção que dedicamos a elas”.




E a cada novo dia, Wellington descobre novas formas de se relacionar com suas crianças na psicomotricidade. Apenas com o jeito alegre de ser, distribuindo um simples abraço, lembranças que o fazem sorrir de gratidão por um deles. “Tem um menino lá que é bem complicado no relacionamento. Não gosta de perder em nada, bem problemático, mas, ao mesmo tempo, é muito carinhoso. Tem apenas 4 anos. Ao mesmo tempo que é muito carinhoso, é também muito bravo. Se perde, não gosta de perder. Quando faz muita bagunça, peço um abraço para ele e digo: ‘gosto tanto de você, vamos brincar certinho?’. Aí, ele se acalma. Gosto da maneira que me chama, ‘Élitão”, talvez, pelo meu tamanho, bem alto”.


É alto, sim, 1m93 de pura alegria e simplicidade. “No começo, pelo meu tamanho, as crianças ficam meio assustadas, mas, com o tempo, começam a perguntar: ‘quem é esse grandão?’. Começam a perceber que ‘tamanho não é documento’”.


E assim, Wellington segue sua rotina, aprendendo e convivendo com os pequenos. Alegrias e tristezas com os resultados alcançados com seu trabalho, nas escolas, em Gaspar Lopes, e, também, em academias da cidade, na dança ou com a psicomotricidade. “Vários casos me tocam, sensibilizam, mas é recompensador ver a melhora deles dia a dia, ver que você pode ajudá-los de alguma forma. Da mesma forma que é bem triste quando você passa pela rua e vê alguém para quem já deu aula e percebe que deu errado. É bem triste”.









Aos 30 anos, Wellington mora com os pais, gente da terra, batalhadores que sofreram para ver apenas um dos filhos formado em uma universidade. “Somos em 4 irmãos (2 homens, 2 mulheres), só eu me formando. Família simples, pobre. Foi bem difícil, por isso estou tentando me formar há 7 anos. Fui fazendo aos poucos, quando tinha dinheiro para pagar”.

O esforço está valendo a pena. E Wellington aprendeu o maior segredo para ser tão querido por suas crianças. “Criança é muito verdadeira. Se gosta de você, gosta mesmo. Se não gosta, não faz questão nenhuma. Por isso a gente tem que ter essa alegria, dia a dia, tentar conquistar todo mundo, se não, você não fica”.