quinta-feira, 27 de abril de 2017

Cidade Escola: Pinheirinho é vida


Uma das maiores regiões de atuação do programa Cidade Escola leva o nome de um bairro superfamoso na cidade. Pinheirinho está no diminutivo, mas apesar da delicadeza do nome o preconceito existente pelo lugar é enorme.

A sede do Cidade Escola na região fica no CRAS Jardim Alvorada e as atividades se estendem por uma imensa área chegando aos bairros do Recreio, Jardim São Paulo, Santa Clara, Residencial Vale Verde, Novo Horizonte, além do próprio Pinheirinho. Portanto atende a várias comunidades, totalizando mais de 10 mil moradores. 

Tudo ali é grande: região, bairros, população, número de integradores (28), problemas e soluções. Sim, soluções, porque desde o início das atividades do Cidade Escola, há três meses, pelo menos 10% da população na região aderiu ao programa. São quase mil inscritos, até agora.

É fácil entender a razão de tanta procura. A região do Pinheirinho sofre com o descaso de antigas administrações com problemas sociais graves existentes por ali como exploração do trabalho infantil, negligência familiar, tabagismo, alcoolismo, drogas, mas, sobretudo, com a falta de opções de lazer e convivência. Essas informações não são “achismos”, foram detectadas a partir de dados oficiais. “Aqui, no CRAS Alvorada tem o antigo Serviço de Convivência e fortalecimento de vínculos, que estava completamente parado, e agora se juntou ao Cidade Escola. Elaine é a orientadora social deste programa. O serviço de convivência tem um sistema online em que a gente insere o público prioritário. E foi assim que encontramos todas essas demandas”, explica o coordenador do Cidade Escola na região, Rolién Cirilo.

Mas nem tudo são só problemas, garante Rolién. “O que está acontecendo de especial, na região, é a adesão da comunidade. Antes, não havia nenhuma atividade. Agora, o que divulgamos, sentimos que é muito bem recebido pela comunidade”.

Não é para menos. São vários locais recebendo inúmeras atividades, para todas as faixas etárias. 

No CRAS Alvorada, acontecem atividades de zumba, karatê, capoeira, futebol (masculino e feminino), ginástica funcional para terceira idade, horta comunitária, artesanato (feltro, crochê, ponto cruz, pintura em tecido, corte e costura) e percussão.





Na quadra do Pinheirinho tem futebol e vôlei (masculino e feminino), além da ginástica para terceira idade. Para as crianças das CEMEI, Jardim São Paulo, Leco e Santa Clara, aulas de psicomotricidade.

Em parceria com o Cáritas, acontecem atividades de dança, futebol, zumba, artesanato e reforço escolar. Na escola Teresa Paulino, artes (pintura, desenho técnico), reforço escolar, karatê, artes marciais, violão, teatro, zumba.

No Jardim das Alterosas tem dança e, uma vez por mês, o projeto "Cinema no bairro", em parceria com a empresa Urbis.





Aula de nutrição, com massinhas.
Entre tantas opções, o coordenador Rolién cita uma em especial, que não aparece nessa imensa lista. “Temos aulas de saúde, com a Elizabete Cicone, para grupos de gestantes e adolescentes, além de adultos e idosos. Ela é pedagoga, dentista e fez mestrado recentemente na área de educação sexual. Está trabalhando a sexualidade com os adolescentes e crianças (e também com todas as gestantes). Começamos com duas e já são mais de 15 participando dos encontros. Temos um índice elevado de gravidez na adolescência, em toda a região. Com as crianças, ela também trabalha o tema nutrição, de maneira lúdica, com massinhas”.



"Troca Saudável", 3 toneladas de lixo recolhidos.
E os ares pela região do Pinheirinho estão realmente mudando. A participação e envolvimento da comunidade são impressionantes. “Tivemos a ação ‘Troca Saudável’, e com a divulgação, arrecadamos três toneladas de material de lixo. Fizemos outra ação, com a horta comunitária, e após a divulgação, apareceram 30 pessoas para trabalhar, só que no espaço não cabiam todos de uma vez. Tivemos de fazer por turmas. E mais recentemente, no evento da Páscoa, organizado todos os anos pelo CRAS Alvorada, eram de 60 a 70 crianças por turno, manhã e tarde, agora, com o Cidade Escola, chegamos a mais de 200 participantes”.


Rolién Cirilo
Não é (e será) fácil o trabalho de coordenação de uma região tão ampla. Rolién Cirilo sabe disso, ainda mais para ele, que pela primeira vez assume o desafio de coordenar um grupo tão grande de pessoas dentro do Cidade Escola. 

Apesar da formação em Química, a educação é sua paixão, mas aquela, fora dos muros. “Na área social a gente se sente mais completo. Sou apaixonado por educação, não a educação formal da sala de aula, do olho na nuca. O aspecto social é muito mais legal. Podemos voltar para casa com uma história bonita para contar”.

E para viver e conhecer de perto a realidade de toda a região, Rolién passou a morar por ali há alguns meses. 

E tudo que sempre ouviu falar de negativo, especialmente sobre o bairro Pinheirinho, está ficando para trás, como uma história do passado.

Só mesmo conhecendo as memórias da formação do Pinheirinho para entender o que de fato aconteceu para gerar tanto preconceito. Os mais antigos no bairro sabem que, de fato, existe um marco divisório na comunidade. “Tinha o Pinheirinho velho, por volta de 1980 e ficava para baixo da escola e da igreja. Para cá, o Pinheirinho novo. Começou não muito pequeno, umas 150 casas. A Cohab veio e fez as casas. Quem era a população alvo aqui? A Ipanema e a Monte Alegre (fazendas de café) traziam os peões para trabalhar. Onde os colocavam? Na Cohab. O camarada chegava aqui, sozinho, não tinha família, amor, qualquer vínculo familiar. Foi assim que um começou a matar o outro. O estigma de bairro violento começou assim”, relembra Marco Antônio, pedagogo e morador antigo do bairro.


Professor Marco Antonio Leal
Mas não foram apenas a falta de convívio e de relações sociais que deixaram o Pinheirinho com a fama de bairro violento. “Era a época do breakdance, a turma das gangues. Quando o pessoal do centro da cidade vinha para cá, era briga direto. Eles juntavam para dançar, mas gostavam de brigar, dar porrada. Era tipo gangue dos Estados Unidos, que era o ‘modelo’ da época. 

Era um território dominado, os caras eram amigos mesmo, mas se um desconhecido olhasse torto, a porrada comia solta. Eles saiam para disputar concursos de dança em discotecas da região, Machado, Paraguaçu. Eram bons de briga, mas dançavam muito, ganharam vários concursos”, recorda Marco Antônio.



Com o surgimento do Pinheirinho “novo”, chegaram mais famílias. As fazendas Ipanema e Monte Alegre construíram seus alojamentos. Muitos enraizaram, mas muitos também não se adaptaram e foram embora. “Quando construíram o campo de futebol, a escola e a igreja, a coisa começou a melhorar, a comunidade passou a ter identidade e o Pinheirinho ficou mais povoado. Hoje, é um dos bairros mais populosos de Alfenas, muito por conta dos puxadinhos que cada família foi fazendo em suas casas. O filho casava, a mãe fazia um puxadinho para ele, porque a família não tinha dinheiro para construir outra casa”.


Rádio Pinheirinho
O que acabou aproximando de vez a comunidade do Pinheirinho e região foi a construção da rádio comunitária, conhecida como Rádio Pinheirinho. “Padre Arnoldo, junto com a comunidade, tinha o sonho de ter uma rádio comunitária. Começou bem clandestina. Fazia programação da pastoral da criança. Depois de tudo legalizado, no bairro e na região, só se ouve essa rádio. Quer mandar um recado, sobre qualquer campanha, vacinação, o que for? Todo mundo ouve. 

O legal é que todos que trabalham lá não são profissionais de rádio, tem que ter um dom. A rádio é uma ‘cópia’ das comunitárias das favelas. Começamos assim, com alto-falantes na praça. 

Na feira de domingo, por exemplo, tínhamos alto-falantes espalhados por lá. Também passamos a transmitir a missa da igreja São Pedro, aí a cidade inteira começou a ouvir a Pinheirinho. Tenho certeza que é a rádio de maior audiência da cidade”, garante Marco Antônio.






E para desmistificar de vez a “fama” do bairro, surgiu há seis anos a tradicional feira do Pinheirinho, iniciativa de Sidnei Rosa e Marcos Inácio, o Marquinhos. “A feira foi criada na época do Luizinho prefeito, em 2012. Muitos pais não tinham condições de levar as crianças na feira do centro, aos domingos. E aqueles que iam, não tinham condições de comprar quase nada, uma verdura, um tomate. Foi aí que veio a ideia de fazer a feira no Pinheirinho. O dinheiro que eles gastariam para ir até lá, de condução, já daria para comprar um pé de alface, um repolho”, relembra Sidnei.



E a ideia deu certo. Hoje, a feira acabou promovendo o entrelaçamento de gente de vários bairros da cidade e não somente um ponto de encontro para aqueles que moram no Pinheirinho. São mais de 50 barracas, vendendo de tudo um pouco, como frutas, verduras, roupas, flores, artesanato, comida, bijuterias. Mas Sidnei sabe o quanto foi difícil chegar a este ponto. “Tem feirantes de várias cidades, como Pouso Alegre, Paraguaçu, Fama. A ideia seria trabalhar com todos os feirantes daqui, de Alfenas, mas não foi possível. A maioria tinha medo do bairro. A gente dizia para não terem medo, que não tinha perigo nenhum e ‘vocês vão se dar bem’. Nem um vendedor de sacolinha queria vir aqui para a feira. Agora, já são vários”.


E Sidnei Rosa foi além. Para aproveitar o imenso espaço da praça do Pinheirinho, em que a feira acontece, veio outra ideia. “Começamos a fazer eventos na praça, com um aparelho de som. Trazíamos duplas caipiras, como Índio Cachoeira e outros. Tudo bem simples. Pegávamos umas cadeiras e a turma em volta ouvindo. Mas funcionava. A gente falava das coisas do bairro, dos comércios, da farmácia, da padaria. E aí os comerciantes maiores começaram a formar negócios na própria praça, como o restaurante, pastelaria, pizzaria, bares. Antes eram poucos”.



Simples, assim. Convivência, integração, lazer, pertencimento, atividades que aproximam as pessoas de uma comunidade. Princípios básicos de qualquer sociedade e que o Cidade Escola está promovendo. Então, nada melhor do que promover uma grande festa, na Praça do Pinheirinho, na praça da feira, na praça das quadras de esporte, da igreja, da escola, da comunidade.

No dia 11 de março, um sábado, o Cidade Escola promoveu um dia inteiro de festa, na Praça do Pinheirinho. Mas no Pinheirinho? Como assim? Foi o que muitos disseram e questionaram. Mas lá? E assim aconteceu.


Mais de 10 mil pessoas participaram dos eventos. 

A festa começou às oito da manhã, com música popular e foi até a madrugada, sem nenhuma ocorrência grave ou tumulto, como muitos acreditavam. 

A comunidade interagiu com oficinas do Cidade Escola e acompanhou as apresentações das crianças do Projeto Redescobrir, além dos shows de Saulo Laranjeira, Índio Cachoeira e Banda Café com Cajuína.





No muro que cerca a quadra de esportes, na Praça do Pinheirinho, jovens das oficinas de grafite do Cidade Escola, deixaram gravado para sempre a palavra chave para que o Pinheirinho ou qualquer comunidade de Alfenas consiga resolver seus problemas: coletividade.

























terça-feira, 25 de abril de 2017

Cidade Escola e Saúde: parceria para crescer

Se o programa Cidade Escola já está encantando muita gente da cidade com suas atividades e novos conceitos de convívio e integração, a partir dos próximos dias, terá mais razões para comemorar. É que a partir de agora, Saúde e Cidade Escola andarão juntos, em diversas ações.

E o primeiro passo já foi dado. Trata-se do programa “Ortodontia para Todos”, uma parceria inédita, entre a Secretaria da Saúde e a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). O programa atenderá, inicialmente, de 350 a 500 “pacientes”, entre 8 e 25 anos de idade, selecionados entre os participantes dos diversos núcleos de atividades do Cidade Escola.

Matheus Paccini (5º da esquerda para a direita),
coordenador do Cidade Escola, em reunião no Caic.
Para o coordenador do programa Cidade Escola, Matheus Paccini, a parceria inédita entre Saúde e Cidade Escola envolve questões extremamente importantes. “A ortodontia é uma necessidade. Há um estudo científico de que a pessoa que não tem a mordida correta, atrapalha-se em sala de aula e nas atividades do dia a dia. Não é só a questão do sorriso. Estamos falando de uma faixa etária de jovens em que é importante atuar na autoestima. O Cidade Escola está trabalhando a autonomia das pessoas e para terem isso elas têm de estar bem consigo mesmas, tem que entender seu local na sociedade”. E foi pensando exatamente nestas questões de autoestima que o Cidade Escola procurou implementar essa parceria importantíssima com o setor de Saúde da cidade.

Jair Panis (centro), apresentando o programa
"Ortodontia para Todos", aos coordenadores do Cidade Escola.
O “pontapé” inicial foi dado na segunda-feira, 24 de abril, em uma reunião entre todos os coordenadores de núcleos do programa com o Chefe de Gabinete da Secretaria de Planejamento, Jair Panis, e a dra Maria Juliana Pedreira, ortodentista contratada pela APAE para realizar os tratamentos.

O programa prevê a colocação de aparelhos gratuitos, manutenção, radiografias, pasta ortodôntica, “tudo por conta do governo municipal em parceira com a APAE”, explica Jair Panis. “O programa é uma das propostas de campanha do prefeito Luizinho. Nosso ‘alvo’ é atingir crianças com dificuldades de respiração, que respiram pela boca, que tem dificuldades no aprendizado, coisas que se refletem diretamente na autoestima deles. Também há previsão de atender adolescentes e adultos, que precisam da ortodontia, mas não possuem recursos para isso. Sabemos que muitos estão fora desta realidade”, garante Jair Panis.

Dra Maria Juliana Pedreira (de vermelho),
reunida com os coordenadores do Cidade Escola.
A dra Maria Juliana Pedreira conhece bem de perto essas realidades. Formada pela Unifenas há 14 anos, fez especialização em Ortodontia pela Faculdade São Leopoldo Mandic de Brasília e sabe que os problemas causados pela má formação dentária geram sérios reflexos às pessoas, especialmente nos mais jovens, e que o acesso a esses tratamentos é difícil. “A ortodontia foi ficando cada vez mais cara, os aparelhos, os materiais são caros, o que dificulta também para os dentistas oferecerem isso aos pacientes de uma forma mais barata. Dentes tortos, dificultam a higienização. O paciente começa a ter doença periodontal, a mastigação e a articulação mandibular também ficam prejudicadas. A alteração da posição dos dentes já é indicativo para a colocação de aparelho. Tudo isso reflete em problemas com a autoestima, a criança começa a se isolar. Tem crianças com problemas de respiração, porque ficam com a boquinha aberta, o tempo inteiro. O problema, é, muitas vezes, a falta do aparelho", relata dra Maria Juliana.

Para participar, os selecionados nos núcleos do Cidade Escola deverão apresentar apenas o Cartão do SUS Nacional. Os recursos para a parceria APAE e Secretaria da Saúde serão disponibilizados pelo Fundo Municipal de Saúde, por meio de repasses do MAC (Serviços de Média e Alta Complexidade). O valor aproximado dos recursos é de R$ 17 mil mensais, custos que só foram possíveis pela parceria com a entidade. “A APAE está fazendo o que nenhum laboratório ou clínica faz, que é fazer o custo do atendimento dentro da tabela SUS, tanto é que, uma radiografia, que custa no particular, em média, R$ 60, pelo SUS, é pago apenas R$ 6,75. A manutenção, que os dentistas cobram em média R$ 100, fora a pasta, o SUS paga R$ 30,07. Achar esse serviço, pela tabela SUS, é praticamente impossível, aqui ou em qualquer lugar”, explica Jair Panis.

Além do “Ortodontia para todos”, a partir de agora, todos os Postos da Saúde da Família (PSFs) e núcleos do Cidade Escola, trarão novo conceito à atenção básica da saúde e, ampliará, ainda mais, o poder de alcance dos dois programas.

O Cidade Escola já está ficando conhecido, mas, e os PSFs, você sabe, de fato, sua função? Eles foram criados no Brasil há 23 anos como uma Política Nacional de Atenção Básica. Ou seja, um local para a promoção e prevenção da saúde, e não um pronto-socorro. Cada PSF tem equipes multiprofissionais, formadas por médico, enfermeiro, auxiliares de enfermagem, agentes comunitários de saúde, dentista e técnico de higiene bucal. A evolução do programa acabou levando também para o lugar outras especialidades como nutrição, fonoaudiologia, educação física, psicologia, todas trabalhadas na forma de prevenção.

Em Alfenas, os PSFs demoraram a chegar. Os quinze existentes, foram implantados a partir de 2009, pelo atual prefeito, Luizinho. E outros virão, até 2020.

E como funcionará, na prática, esta nova parceria entre PSFs e Cidade Escola? Simples. Muitos dos problemas de saúde que várias pessoas apresentam quando vão a um PSF poderiam ser resolvidos com diversas atividades desenvolvidas atualmente pelo Cidade Escola. São inúmeros casos e exemplos, como hipertensão, estresse, depressão, obesidade e muitos outros. Mas não é somente isso. A parceria vai muito além, pois trabalhará a fundo a prevenção e a promoção da saúde, princípios básicos de um PSF.

Sandra Bernardo, em atividade de
prevenção saúde bucal, Escola Tancredo Neves.
A coordenadora da nova parceria conhece bem sobre o assunto PSF.  Sandra Bernardo é técnica de higiene bucal e trabalha há 10 anos na rotina dos PSFs. Para que tudo funcione conforme o planejado, há um trabalho enorme de articulação e coordenação entre os dois, PSF e Cidade Escola. “Primeiro, faremos reuniões com os coordenadores regionais do Cidade Escola, para levantar as demandas sociais de cada região e discutir possíveis soluções. Em paralelo, manteremos contatos para envolver os educadores (diretoras, supervisoras e professores) no projeto e realizar um cronograma de atividades. Também já estamos articulando e informando para as equipes dos PSFs (enfermeiros, agentes comunitários, dentistas, técnicos de enfermagem e médicos) as ações realizadas dentro do Cidade Escola que acontecem, normalmente, no entorno, e, muitas vezes, até mesmo dentro dos PSFs. Haverá apresentações lúdicas sobre saúde e higiene, para motivação dos alunos da rede pública de ensino municipal, com teatro, fantoches, paródias musicais. E durante o ano, realizaremos ainda vários eventos, nas ruas, praças e parques, sobre saúde bucal, com a parceria da Secretaria de Educação e Cultura”, explica a coordenadora.

Horta comunitária, atrás do PSF Gaspar Lopes.
Para simplificar, a nova parceria entre PSFs e Cidade Escola vai executar ações para a promoção e a prevenção da saúde, aproveitando espaços físicos dos próprios PSFs ou nos núcleos já instalados do Cidade Escola. “Vamos aproveitar áreas dos PSFs para atividades diversas, como hortas comunitárias. Levaremos os alunos e a comunidade para plantar e aprender nas hortas. Mas o que é mais importante, sem dúvida, são as palestras, que serão feitas de acordo com a necessidade de cada núcleo do Cidade Escola, como saúde bucal, gravidez precoce, drogas, doenças sexualmente transmissíveis, violência contra mulher, tabagismo, alimentação saudável e muitas outras”, completa Sandra.

E a primeira etapa desta parceria entre PSFs e Cidade Escola já começou, antes mesmo de seu lançamento oficial. Entre os dias 3 e 7 de abril, Sandra percorreu 11 núcleos do Cidade Escola, para conhecer seus coordenadores e levantar as demandas sociais de cada região. Em cada um deles, realidades diferentes, mas, em comum, a certeza de que a parceria entre PSFs e Cidade Escola tem tudo para ampliar ainda mais o alcance de ambos os programas, e o melhor de tudo, melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas, que foram praticamente abandonadas por antigas administrações.

Ginástica, no núcleo Dona Zinica: para todas as idades.

Para Stela Rogatti, coordenadora dos núcleos do Cidade Escola, Tancredo Neves e Dona Zinica: “É muito bom esse trabalho educativo nas escolas com a saúde bucal, porque, hoje, a escola, infelizmente, está tendo de cuidar de tudo com as crianças. Isso é uma questão social, não temos mais como ‘fugir’ dessa realidade. Temos que nos virar”.




Sandra e Fabio Cruz, no núcleo Vila Promessa.

Fabio Cruz, do núcleo Vila Promessa, reforça e amplia o tamanho do problema da saúde bucal pela cidade: “Uma de nossas crianças, bem pequena, um dia nos disse que só usa a escova, e quando usa, se pegar a da prima emprestado. Aqui, será muito importante o trabalho de educação e prevenção da saúde bucal, mas não só com as crianças, mas com as famílias. Existiam os kits de saúde bucal, escovinhas, mas tudo abandonado, parado, encostado numa sala, deteriorando”.

Sandra, a coordenadora da nova parceria ouviu atentamente e garantiu. “Vamos trazer os kits para distribuição às crianças”. Outro tema importante, e que Fábio garante que as palestras, fruto da nova parceria PSF e Cidade Escola, na Vila Promessa, trarão resultados positivos, é sobre violência doméstica e gravidez precoce entre adolescentes, muito comuns nesta região da cidade.


Materiais utilizados em teatro sobre saúde bucal

A região em que a Vila Promessa está localizada dentro do Cidade Escola é a do Caic. Binho, o coordenador reforça o problema com saúde bucal existente por lá, apesar de já existir uma parceria no local com a Unifenas. “Problema dentário aqui é sério. Muitas crianças com problemas. Na parceria com a Unifenas, temos 22 crianças atendidas por segunda-feira e um consultório dentário está quase pronto. Mas é pouco, porque aqui atendemos sete bairros da região. A parceria com os PSFs da região (Jardim Primavera 1 e 2 e Campos Elíseos), será extremamente importante para nós. Precisamos de palestras, sobre prevenção, não só na saúde bucal, mas sobre todos os temas importantes na saúde. Aqui, a parceria já começou, porque já recebemos muitos usuários dos PSFs, adultos e idosos, que praticam nossas atividades de ginástica, pilates e dança”, explica Binho.


Cadeirantes no Residencial Alfenas
Entre tantas demandas específicas, uma em especial revela a importância desta nova parceria entre PSFs e Cidade Escola. É o caso do Residencial Alfenas, os Predinhos, no Jardim São Carlos, como conta a coordenadora Rose Cris. “Aqui temos muitos cadeirantes, que adorariam poder fazer as aulas de ginástica e dança que já oferecemos em nossas atividades. Mas precisamos de um fisioterapeuta ou educador físico que possa orientar nossos integradores nesta prática, para não oferecer riscos a eles. Todas as palestras, sobre todos os temas da saúde, que possam trabalhar a prevenção, também serão muito boas pra nossa comunidade”.


Junior, coordenador do núcleo Cidade Escola, no Polivalente
Na região central da cidade, também há demandas específicas e que a nova parceria PSFs e Cidade Escola poderá ajudar. Segundo Junior, coordenador da região, só na Escola Polivalente, tem 850 jovens e crianças à procura das atividades do Cidade Escola, mas revela que a parceria poderá resolver uma demanda importante para adultos e o público da terceira idade: “Os PSFs da região da Aparecida e São Vicente, com fisioterapeutas ou educadores físicos, poderão nos ajudar nas aulas de Pilates. Mas todas as palestras educativas, sobre vários temas, também serão muito úteis para nossos núcleos”.


Atividade Pilates, núcleo Caensa, junto ao PSF.
Na região do Caensa, a coordenadora do Cidade Escola, Simone, reforça a importância da nova parceria com os PSFs, destacando um tema pouco trabalhado com os jovens. “As palestras sobre nutrição serão muito importantes. Os jovens daqui tem acesso a um pacote de bolacha, então, poderão aprender que com esse mesmo dinheiro, poderiam comprar alguma fruta, que tem muito mais valor alimentar. É preciso conscientizar, para o futuro. As palestras sobre todos os temas envolvendo saúde serão importantes, pois, aqueles que estão fazendo algo errado, por falta de informação, não terão mais essa ‘desculpa’. Tudo é hábito na vida”.


Sandra Moreira (esq) e Sandra Bernardo,
em frente ao PSF Gaspar Lopes
Nem a zona rural ficará de fora da nova parceria PSFs e Cidade Escola. A coordenadora do programa em Gaspar Lopes, Sandra Moreira, já começou, na prática, a ver os bons resultados quando as atividades do Cidade Escola são bem divulgadas, dentro do PSF local. “Aqui, várias senhoras que frequentam o PSF, estão fazendo aulas de hidroginástica com a nossa turma que vai ao CEME todas as semanas. Mas precisamos palestras de todas as áreas, especialmente sobre uso e consumo de drogas e prostituição, problemas graves atualmente nesta região”.



Núcleo Casa Aquarela, Chapada, ao lado do PSF
E há razões muito mais simples que justificam a parceria PSFs e Cidade Escola. É o que afirma o coordenador da região da Chapada, Romulo Spuri. “Os agentes de saúde serão muito importantes para nós, para divulgar as atividades do Cidade Escola. Mas, para principalmente, dizer as pessoas dessa região, onde estamos atuando. Muita gente ainda sequer sabe onde estamos instalados. Às vezes, uma pessoa que mora aqui perto, quer fazer aula de violão, e não sabe que temos essa atividade bem do lado dele. Os agentes de saúde do PSF, que já visitam regularmente todos os moradores, vão ajudar muito nessa questão”.


Bruno "Mocotó", em frente ao CVT
e da quadra de esportes, no Santa Luzia.
Outro coordenador do Cidade Escola, que já está colocando em prática a parceria, antes mesmo de seu anúncio oficial, é Bruno, no bairro Santa Luzia. “Conversando com o pessoal do PSF que atende o bairro (Unisaúde), colocamos uma professora de ginástica dentro do PSF”. E Bruno terá um apoio de peso daqui para frente. É que sua base no Cidade Escola está instalada dentro do Centro Vocacional Tecnológico (CVT), que tem espaços e condições apropriadas para as palestras que surgirão da nova parceria PSFs e Cidade Escola. Éverson, coordenador do CVT, já abriu as portas do lugar. “Apesar de sermos um centro de educação, temos de ser multidisciplinar, podemos (e vamos) colocar nesse nosso espaço, nas salas de conferências, todas essas palestras da área de saúde. Como evitar uma hipertensão? Essa parceria pode aprofundar muito mais essa questão. Fazer aula de ginástica dentro do Cidade Escola, melhora, mas quais os detalhes mais técnicos dessa doença? As palestras serão muito úteis”.

Mas, existem núcleos em funcionamento do Cidade Escola que já praticam várias propostas da nova parceria. É o caso dos núcleos da região do Pinheirinho e da Vila Formosa.


Rolién e Sandra, no CRAS Alvorada,
um dos núcleos na região do Pinheirinho.
Rolién coordena as atividades do Cidade Escola a partir do CRAS no Jardim Alvorada, mas seu raio de atuação é imenso chegando aos bairros, Recreio, Jardim São Paulo, Pinheirinho, Santa Clara, Residencial Vale Verde e Novo Horizonte. “Temos dois PSFs próximos daqui do CRAS, Alvorada/Recreio e outro do lado da escola Teresa Paulino, no Pinheirinho. Lá, procurei o PSF para as atividades com idosos e gestantes. É o momento em que nossa integradora, Elizabete, fala com as gestantes sobre alimentação, higienização, tira dúvidas gerais da gravidez, sobre todos os temas, nutrição, etc. Começamos com duas gestantes, e na semana passada já eram quinze”.


Rolién não parou aí na parceria com os PSF. “Temos também aulas de ginástica, nas quadras do Pinheirinho, para adultos e idosos, e aí conseguimos uma aproximação maior com o pessoal do PSF. Divulgamos por lá, no início das atividades, e está dando supercerto”.

Pela imensa área de atuação, Rolién sabe que a nova parceria entre PSFs e Cidade Escola será fundamental para evoluir ainda mais nas soluções dos graves problemas sociais existentes na região. “Na região do Pinheirinho, vamos precisar de palestras e encontros educativos sobre quase todos os temas: gravidez precoce, drogas, exploração trabalho infantil, exploração sexual, negligência familiar, idosos, tabagismo, alcoolismo. Aqui, o Cras Alvorada tem o antigo serviço de convivência, que estava completamente parado e agora está se juntando ao Cidade Escola”.


PSF Vila Formosa e Cidade Escola
E entre os 11 núcleos visitados nesta primeira fase da parceria entre PSFs e Cidade Escola o de Vila Formosa é onde se enxerga resultados mais visíveis desta união, que renderá ainda mais frutos.

E tudo aconteceu por acaso, como revela o coordenador Marcelo. “Aqui a parceria aconteceu naturalmente. Estávamos sem um local adequado para todas as atividades e encontrei a Rosangela, enfermeira responsável pelo PSF. Ela nos acolheu de imediato, cedendo até sala para que eu pudesse ter um canto para poder conversar com os pais reservadamente”.


Aula de violão, no prédio PSF Vila Formosa.
Mas não foi só isso. “Nos fundos do prédio do PSF há uma área em que acontecem várias atividades como violão, teclado, xadrez e pilates. Aqui, a comunidade aceitou muito bem estarmos dentro do PSF, porque acabou aproximando as pessoas. Tirou a ideia ou imagem de que PSF é um ‘pronto de socorro’, frequentado só por pessoas com problemas de saúde. Aqui, por exemplo, já vi mãe sendo atendida pelo médico enquanto a filha está fazendo aula de violão. Virou um espaço muito acolhedor”.


Turma da ginástica e pilates, no PSF Vila Formosa e Cidade Escola.
E o Cidade Escola foi ampliando a parceria e utilização do espaço, antes reservado só para atendimento médico no PSF. “A gente tem aula de treinamento funcional. E o que é treinamento funcional? Temos uma academia ao ar livre, próxima ao campo de futebol, que não foi utilizada na gestão passada, e ficou totalmente abandonada. Então, trouxemos uma professora para dar aula de ginástica neste local para o pessoal da terceira idade. É ela também quem dá aula de Pilates. O que acontece, na prática, nesta parceria? Uma pessoa do PSF, no começo da atividade de ginástica, mede a pressão das senhoras, faz toda a triagem e vê como a pessoa está. A diferença é que fazem tudo isso se divertindo, interagindo e ‘melhorando’, naturalmente”, conta Marcelo.


Outra mudança percebida no núcleo de Vila Formosa, que funciona dentro do PSF, é o público de usuários. “Quando cheguei aqui, era só o pessoal da terceira idade. Eu não via adolescente neste espaço. PSF tem a ‘imagem’ de pessoas com problemas de saúde. E adolescente, tem muita energia. Agora, não. A gente vê muitos adolescentes, todos os dias. Violão, por exemplo, começamos com dois alunos, e agora já são vinte e cinco, divididos em duas turmas” revela o coordenador.


Como se percebe, nas primeiras visitas aos núcleos do Cidade Escola e PSFs, muita coisa já está em andamento.

Ginástica de rua, no núcleo Vila Formosa.
Para o coordenador do programa Cidade Escola, Matheus Paccini, a parceria entre PSFs e Cidade Escola deve ampliar ainda mais a qualidade de vida dos moradores da cidade. “Dividimos os moradores por regiões, no Cidade Escola, e em cada região, existe pelo menos um PSF. Nada melhor, então, do que integrarmos os PSFs com as ações do Cidade Escola. No programa, temos atividades esportivas diversas, futebol, ginástica localizada, pilates, ginástica ao ar livre. Percebemos que são muitas atividades que os usuários dos PSFs também pedem ao poder público, então, o que faremos é integrar, aproximar.

Dentro do Cidade Escola temos uma coordenadoria de saúde, que é em parceria com a Secretaria da Saúde, com a secretária Deiva Cabral, que está dando todo o apoio e suporte para essas ações. Então, teremos, a partir de agora, nos PSFs, um grande apoio para integrar Saúde e Cidade Escola”.


E há, ainda, outra parceria importante acontecendo entre Saúde e Cidade Escola. “Estamos integrando também com o pessoal da Unifal. Lá, existem grupos de prevenção formados para atuar contra o suicídio, pessoas que estão com algum tipo de depressão, algum tipo de problema psicológico. Estive em reunião com a coordenadora deles, e vamos integrar essas atividades com as do Cidade Escola. O ser humano precisa estar alinhado para viver bem. Cidade Escola é um programa de governo que está sob a pasta da Educação, mas tem integração com a Ação Social, Saúde, Meio Ambiente. Um programa deste tamanho e alcance, precisa e deve estar integrado com todas as secretarias”, afirma Matheus Paccini.

Coordenadores do Cidade Escola reunidos no Caic.